A semana Santa de 2011 não é marcada pela ressurreição de Cristo, nem nenhuma celebração religiosa, não em 2011, mas sim por uma cerimónia onde crentes lúdicos não são bem-vindos, um casamento perfeito entre música extrema e a música clássica, a grande devastação á nossa frente, onde questões e mais questões são postas de uma forma caótica. Até onde a nossa criação consegue ir??
SepticFlesh – The Great Mass: Review
“Mind, Body, Spirit
Past, Present, Future”

Após o lançamento da obra-prima (a meus olhos), «Communion», parecia impossível de ser ultrapassado pelos Gregos, e se acontecesse, como seria? Qual o seu cheiro, que aspectos iriam ser abordados? Como é que a perfeição pode ser abatida? Um desafio, que antes, nunca tinha sido alcançado.A solução não passa por fazer um cd com mais riffs, mais veloz, mais agressivo, os SepticFlesh, tinham que abrir um portal, um portal para, o conhecimento. Não se combate fogo com fogo, e assim foi, «The Great Mass» nasceu com o criador, o homem, criador e destruidor, o artista que pintou os seus Deuses e Demónios, com pincéis sangrentos bordados em ouro.
Conceito:
Em «The Great Mass», a identidade de SepticFlesh é definida, um perfeito soundtrack de horror, com uma abordagem mais religiosa, do que os anteriores álbuns, «Mass» é uma palavra que desagua em todas as musicas, ele esta presente ao longo do percurso do álbum. Mas o aspecto abordado não envolve apenas a religião, existem algo mais pessoal envolvente, experiencias de vida, sonhos, á procura do conhecimento, é uma viagem cronológica, um puzzle para ser desvendado.
Orquestra:
Com mais de 150 músicos, a composição foi suado, com a orquestra de Praga (a mesma envolvida no anterior cd) sobre visionada por Chritos Antoniu (Guitarra & Orquestra), o senhor que esta sempre por detrás da composição e criação das sinfonias. A orquestra funciona como um quinto membro, ao contrário de «Communion» as sinfonias têm vida própria. O que faz com que «The Great Mass» seja ainda mais memorável, um monumento, quem ouviu, nunca irá esquecer. Mozart ficaria de boca aberta, se ainda tivesse entre nós.
Art:

Seth (Vocais, Baixo) criou uma capa ao nível do som «The Great Mass», com um deus auto destrutivo, o homem. Quando olhas para a capa, a primeira coisa que vais de dar caras e com um triângulo, o triângulo significa, a tensão, agressividade. Com isto Seth mostrou uma disposição cabalística da criação de deus do homem. A estátua gigante é Deus, mostra o seu coração, e todos a tentarem-se devorar para lá chegar. E assim o digo, Seth Siro Anton, neste álbum, criou algo, onde uma mente tem medo de lá chegar, o artbook, é…. Inexplicavelmente… sem palavras.
Letras:
Do mais alto nível.
Produção:
Polida, devastadora, a melhor que a banda já teve a seu dispor. E a combinação das sinfonias com o resto…. Pode parecer inapropriado, mas recomendo, que todas as bandas que têm Metal Sinfónico no seu som, pense duas vezes antes de lançar um álbum em 2011.
Musicas:
The Vampire From Nazareth – Existe um mistério de uma santa comunhão, onde Cristo pergunta aos seus discípulos, para beber do seu próprio sangue. Se pararmos o tempo, e voltarmos a muitos sec’s atrás vamos encontrar inúmeros símbolos vampíricos, em elementos religiosos, dai provem uma parte da letra da música, e do título.
A Great Mass Of Death – Aqui, para mim chega o ponto alto do álbum. Uma musica…. Ainda procuro explicação. Esta música refere-se á morte, muitos falam da morte como um ser do desconhecido, o desconhecido que nos espera a todos.
Pyramid God – Pyramid God é uma jornada á procura de Deus, é a primeira vez que é citada a palavra “sonho” algo que espanta a mente de Sotiris (Guitarra & voz limpa), e mais uma vez está presente o triângulo (pirâmide), um símbolo que já referi anteriormente.
Five-Pointed Star – É sobre a estrela de Pitágoras, agua, terra, fogo, ar, e o conhecimento (ideia). Com esses 5 pontos, Pitágoras tentou criar um mapa, um mapa misterioso, universo.
Oceans Of Grey – É uma faixa, onde irás entrar dentro de uma pessoa que perdeu por completo a sua memória, um conceito de amnésia, como seria, se isso acontecesse? Não seria de certa forma uma morte? Uma vida sem recordações, sem os nossos sucessos, sem as nossas crenças, ideais e experiencias. Esta música demonstra como a nossa memória é importante, para sabermos quem somos.
The Undead Keep Dreaming – Esta musica fala sobre um lúcido sonho, envolve morte e medo, Sotiris, nesta música demonstra como os sonhos são importantes, e põe a seguinte questão: “Aren´t we alive when we are inside a dream”. Dá que pensar…
Rising – Como o titulo diz, é o renascer de algo, algo que sente que a sua vida aqui na terra ainda esta longe de terminar.
Apocalypse – Apocalypse, é uma revelação que muitos fazem a conexão com um grande desastre, será mesmo isso? Será que o Apocalypse seria o nosso fim? Ou o cair da mascara?
Uma musica caótica que tem como refrão “A God That Wants TO Die” épico, não é??
Mad Architect – Esta música tem um segredo interessante, eu relaciono esta música, com o filme “Matrix”, porquê? Matrix foi um mundo construído, com inúmeras portas, todas elas tinham uma chave diferente, eu, relaciono esta musica com isso, porque, a passagem da vida para a morte, será assim tão diferente?? Onde existe varias entradas, mas nenhuma delas é a nossa salvação.
Therianthropy – A ultima música, assim chegamos ao fim, ou será o inicio? Esta musica relata mitos, relatos, contos, onde as primeiras civilizações já foram contrroladas por seres desconhecidos, relatos que também ja chocaram a era actual.
“Is it possible for two different souls to use the same body?”
«The Great Mass» é um álbum complexo do inicio ao fim, em todos os aspectos, não é um álbum fácil, de o entender, existe muitos mistérios, e isso agrada-me sempre. SepticFlesh, são uma das raras bandas que ultrapassaram o conceito de música, e mostra que existe para além da perfeição. Eles próprios colocaram-se com o objectivo de fazer melhor que o anterior cd, e conseguiram, com outras ferramentas, que é raro ver a serem utilizados, tudo isto saiu dentro de 4 pessoas, eles expolsaram o que sentem, e admiro. Como os Deuses Egípcios tiveram direito aos seus monumentos, rituais, acho que seria justo nós fazermos o mesmo a estes seres, do outro mundo.
“There are strange experiences in life that can abruptly cange our view of reality”

