Entrevista com os LHABYA – Pt II

Tal como prometido no post anterior, aqui fica a entrevista com os LHABYA!

 

 

Pergunta da praxe: Como nasceram os Lhabya? E qual a diferença entre os Lhabia e os Lhabya?

     Os Lhabia nasceram da vontade do Jaymz de fazer uma banda em que pudesse tocar guitarra e cantar, muito basicamente. Na altura era baterista dos GODS’ PERFECT MISTAKE, banda que mantém, com o Mauro a ocupar também o lugar de baixista. Surgiu então um contacto por parte de Bruno Dias, que tinha também intenção de começar uma banda e marcaram uma jam na sala de ensaios do Jaymz. Por coincidência, o Luís estava a regressar de Inglaterra, e como combinado sempre que vinha cá de férias, ligou ao Jaymz e disse:“- Estou em Portugal de vez, vamos fazer uma banda?”. E assim tínhamos baterista! O mais difícil foi arranjar um guitarrista, mas também num golpe de sorte, numa noite em que o Jaymz estava a meter música no Woodrock, falaram-lhe do Rui, que por estranho que pareça, morava a 3 km de casa dele. Então, entraram em contacto e numa tarde os dois fizeram uma jam. E assim se completou a primeira formação dos Lhabia. Após alguns concertos de covers, o Bruno decidiu sair da banda, por razões pessoais. Sem hesitar, o Jaymz sugeriu o Mauro aos restantes membros que concordaram, tendo de imediato o convidando e convencido a ocupar a vaga deixada em aberto. E dessa forma chegamos à formação actual.

        Quanto ao nome, tínhamos mesmo que o mudar, pois já existia uma banda chamada Lhabia. Então, como não queríamos que a alteração fosse muito acentuada, alteramos o “I” pelo “Y”, e as covers pelos originais. E assim nasceram os LhabyA!

Expliquem-nos como foi o processo criativo enquanto trabalharam no álbum, a nível de ambiente, a nível de letras…

       Após terminarmos com os concertos de covers, decidimos entrar na sala de ensaio para compor e durante dois anos foi o que fizemos. Nessa altura só nos juntávamos para fazer música e para preparar o concerto de apresentação, pois tínhamos como objectivo começar em grande! O Rui normalmente trazia um riff e com as ideias de todos lá se compunham umas músicas. Outras vezes aparecia o Jaymz com um Riff estranho e após muitas tentativas lá conseguíamos por aquilo a soar.(risos) Depois da parte instrumental devidamente concluida, trabalhávamos as vocalizações. Quanto às letras, no nosso caso não há uma história bonita por detrás das mesmas, elas foram escritas pelo Jaymz enquanto trabalhava num call-center, entre chamadas de clientes enfurecidos e outros mais simpáticos.(risos)

Podem avançar com algumas novidades acerca do novo CD?

        O novo cd foi uma oportunidade que surgiu de gravar com o Hugo Ferreira dos Tantric, uma banda desconhecida do público português mas que, por exemplo, já faz parte do Rock N’ Roll Hall of Fame, graças ao seu primeiro single, Breakdown. Por pura sorte, ele estava de férias em Portugal na altura em que começamos a tocar. Conseguimos fazer chegar a ele a gravação do primeiro concerto e quando demos por nós, já estávamos no estúdio a gravar. Gravamos tudo em 8 dias, nos Estúdios Alameda em Marco de Canaveses. O que podemos avançar é que ainda falta algum tempo para estar pronto, mas aquilo que temos ouvido, parece-nos muito bem. Ah, e também podemos garantir que vai ter 8 músicas, isso é uma certeza.(risos)

Qual foi o motivo para terem escolhido a Attitude for Dummies como apresentação?

        Não sendo necessariamente o single do álbum, escolhemos essa música porque toda a gente nos falava dela no fim dos concertos e em conversa de café. Diziam que ficava no ouvido, logo após a primeira audição, e que era a nossa melhor música. Isso é muito gratificante para nós, pois ainda só tivemos dois concertos, mas no segundo já se viam algumas pessoas a cantarolar essa música. Decidimos agradecer a quem gosta da nossa banda dessa forma. Afinal de contas, é por eles e para eles que nós existimos.

No vosso facebook falam em como estiveram um dia a experimentar acústico. Podem avançar algo sobre isso?

       (risos) Isso foi uma forma de descomprimir após o segundo concerto. Estávamos cansados, e com aquele zumbido nos ouvidos que fica após um concerto. Então decidimos desligar as distorções e tocar. Gostámos do resultado, mas ainda é muito cedo para pensar nisso. Temos algumas ideias do que queremos fazer e assim que se forem tornando mais concretas, nós falaremos sobre isso.

Deixando de falar no CD, digam-nos: como foram os concertos? Acham que correram bem, podiam ter corrido melhor…

      Ah, foram maravilhosos! Nós somos uma banda de concertos, adoramos tocar ao vivo, sentir o público, viver ao máximo cada momento. O concerto de apresentação foi muito stressante, pois havia muita coisa envolvida e foi um espectáculo preparado durante dois anos. No entanto, tivemos a casa completamente cheia e isso foi muito bom para nos levantar a moral e nos dar força para continuar a superar-nos a cada dia que passa. O segundo concerto, como foi ao ar livre e em formato festival, sem todo o stress do primeiro, foi muito mais fácil. Tínhamos muita gente a ver e a puxar por nós. E quando o público responde dessa forma, nós ficamos ainda mais motivados e os concertos correm muito melhor. Foram duas noites para recordar sempre.

Mais concertos em breve?

 Por enquanto ainda só temos um confirmado, mas já estamos a planear uma pequena digressão pelo nosso país, em sítios com alguma tradição de concertos, apenas com o objectivo de “espalhar a doença”. (risos)

Para além de acabar as gravações, já têm planos para o futuro? Ou estão apenas a “viver o momento”, fazer uma coisa de cada vez?

      Planos temos sempre. Planos que neste momento são mais sonhos. Temos como principal objectivo sair de Portugal pois sabemos que é difícil viver da música da forma que queremos aqui. Visto termos um produtor com sucesso nos Estados Unidos, um dos objectivos passa por mostrar a música lá e ir lá tocar. Também gostávamos muito de tocar em alguns dos principais festivais do nosso país, mas isso é um sonho ainda maior que o anterior, pois sabemos que esses festivais preferem bandas com valor confirmado. Vamos ver como correm as coisas.

Olhando para o panorama pesado português, o que pensam? Estamos melhores, estagnamos…

      Sempre estivemos bem, simplesmente ninguém olha para as bandas de metal, porque não são vendáveis. O mercado musical português está completamente dominado pela música comercial, e nem mesmo os grandes artistas portugueses, até mesmo aqueles que não tocam metal, conseguem bater essa falta de interesse por música de qualidade por parte do público nacional. Basta ver o “Top+” para perceber o quão mal e completamente dominados pela “fast-music” estamos.

E há alguma banda ou bandas que vocês dêem especial relevo em Portugal?

     Tens tempo?(risos) Os Moonspell são um exemplo para nós, pois conseguiram quebrar barreiras que poucos conseguiram. Os Ramp e os Equaleft também são grandes valores dentro do género e bandas que apreciamos. Ainda dentro das sonoridades mais pesadas, os The Temple são na nossa opinião pouco valorizados, mesmo sendo muito bons e tendo dois grandes álbuns no mercado. A cena Metal-Core também está muito forte no nosso país, com bandas como os More Than A Thousand, Hills Have Eyes entre outras, a conseguirem manter uma vasta legião de fãs e a tocar cá e pela europa fora. Mais recentemente descobrimos os Switchtense, que são também é uma banda a ouvir, pois são mesmo muito “bravos”.

       Dentro de outros estilos, os ZEN continuam a ser provavelmente a banda mais singular que alguma vez existiu em Portugal. Estiveram, estão e estarão sempre muitos anos à frente de qualquer outra banda portuguesa. É uma pena que não se mantenham a tocar, mas com o passar do tempo esta falta de reconhecimento do nosso país pela música de qualidade cansa qualquer pessoa, por isso não podemos deixar de os compreender.

Num única palavra: definam Lhabya.

      Intenso.

Últimas palavras para os fãs e futuros?

  As palavras para os fãs são sempre as mesmas. Obrigado pelo vosso apoio e dedicação, esperamos ter-vos sempre nos nossos concertos a libertar toda a vossa raiva, e a cantar e “dançar” connosco. Nunca deixem de vir falar connosco no fim dos concertos, de nos expor as vossas críticas e sugestões,nunca parem de nos transmitir tudo aquilo que sentem ao ver-nos ao vivo pois nós sabemos que sem vocês, nada disto seria possível. Respect! \m/

 

 

Um obrigada muito grande aos LHABYA pela entrevista e também um obrigada ao autor das fotografias, Hugo Santos | Lhabya. Aqui o pessoal deseja-vos toda a sorte do mundo e espero encontrar-vos aí nuns concertos!

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