Entrevista com AFONSO RIBEIRO

Afonso Ribeiro é o nome de um grande baterista. É uma introdução simples e directa, mas que mais verdadeira não podia ser. Tive o prazer de o conhecer aos 18 anos, e já na altura ele tocava. E muito! Se não conhecem o trabalho dele, é bom que comecem já. É um jovem mas já tem uma bagagem musical extensa.

httpv://www.youtube.com/watch?v=h1aEkcVxZ8c

httpv://www.youtube.com/watch?v=SjB2DfCCB5E

httpv://www.youtube.com/watch?v=6mIyXVP56OY

Afonso, antes de mais, comecemos pelas apresentações :)

Afonso Ribeiro: Olá Nadya! Antes de mais um muito obrigado pela tua iniciativa de me entrevistares, e claro que é um prazer enorme assim como um grande orgulho estar a fazer parte dela, ainda por cima de uma pessoa que conheço há bastante tempo diga-se de passagem! Hehe! Sou o Afonso Ribeiro, tenho 21 anos, vivi e cresci em Vila Nova de Gaia, mas com o passar dos anos mudei-me para a cidade do Porto. Ora bem, como deves calcular, sempre fui apaixonado pela música… Tanto que houve um Natal em que o meu pai ofereceu uma guitarra à minha irmã que se chama Mariana Ribeiro, e então acabei por lhe “roubar” a guitarra e fui aprendendo uns acordes por Guitar Pro, de Nirvana, Pearl Jam, Stone Temple Pilots, e principalmente Alice In Chains, a paixão pela bateria surgiu muito após a guitarra! Comecei a tocar bateria por volta dos meus 14 anos, quando o meu “herói” ou seja, o meu pai, me ofereceu umas baquetas da marca Vic Firth 5A, mal recebi as baquetas lembro-me perfeitamente de bater com elas nas almofadas a simular a almofada como se fosse uma tarola! Ahah! Passado pouco tempo depois, chego a casa e fico espantado ao ver na sala já o meu primeiro Drum Kit da Roland que era o modelo TD-3, entretanto foram lançandos vários modelos ao longo dos anos tais como Roland TD-3KW, Roland TD-6KW, e afins, há muitos modelos mesmo! Bem, então quando o meu pai decidiu trocar a Roland TD-3 por o topo de gama da Roland que é a Roland TD-20, mais diversos hardwares topo de gama também da Pearl Eliminator, aí confesso mesmo que chorei de emoção! Comoveu-me bastante o gesto dele e fico-lhe eternamente grato por isso…

O que te levou a tocar bateria?

Afonso Ribeiro: É assim… Eu já na minha infância era fascinado por tudo o que fosse instrumentos de percussão, tanto que tocava bastante Djembe assim como Congas e Maracas, era uma alegria! Ahah! Mas o que realmente me inspirou e me despertou o interesse pela bateria, eu vou-te confessar, sem vergonha nenhuma! Provavelmente deves te lembrar da telenovela chamada “New Wave” que dava na SIC e então houve uma temporada em que nesta mesma telenovela participaram os actores “Guilherme Berenguer (Gustavo)”, “João Velho (Catraca)” e “Marjorie Estiano (Natasha)”, entre outros muitos mais actores! Então esta “tripla” por assim dizer, tinham uma banda chamada “Vagabanda” e então eu “obcequei” completamente com essa temporada! E tanto que o meu actor favorito nessa temporada era o “João Velho” ou seja o “Catraca”! E a partir daí ao ver os ensaios da “Vagabanda” na televisão, a bateria era a o instrumento que mais me chamava atenção, então com o passar do tempo este meu interesse pela bateria surgia de dia para dia até que acabei por ligar ao meu tio Pedro Saraiva, que é Produtor e DJ, e foi o fundador da banda D.R.SAX (Dance, Rhythm & Sax) que teve bastante sucesso e fama na altura! Então fomos os dois ao Estúdio de um amigo dele chamado Quico Serrano da banda “Plaza”, para ver se eu tinha jeito para a coisa! Mal cheguei lá gravei, recordo-me de gravar logo um vídeo ao ver o baterista dos “Plaza” a gravar uns takes se não me falha a memória! Posto isto de parte, o meu tio ensinou-me o ritmo básico, alguns contratempos, e disse-me logo que eu tinha qualquer coisa a tocar, pois pela primeira vez, consegui fazer alguns ritmos e alguns beats que eram bastante difíceis para quem ainda estava a iniciar a bateria! Ao longo do tempo, tocava bateria cerca de 2 horas por dia, covers de Nirvana, Foo Fighters, Alter Bridge, Creed, até que quis subir um bocado mais além e comecei a tocar Dream Theater, andei tempos a ouvi-los e a tocar montes de vezes uma música deles chamada a “A Change Of Seasons”.

Sabes tocar mais algum instrumento?

Afonso Ribeiro: Para além da bateria, digamos que dou uns pequenos toques de guitarra e baixo, mas um instrumento que adorava saber tocar era piano! Sem dúvida alguma! Mas não tenho “dedos” para aquilo! Ahah!

Quando é que te apercebeste que querias estar numa banda, e como surgiu?

Afonso Ribeiro: Não te sei explicar ao certo, mas as coisas foram fluindo naturalmente, quando andava no secundário, na minha turma conheci diversos colegas/amigos meus que também eram apaixonados pela música, que era o Tiago Loja, Jorge Rego, Paulo Ferreira, José Morais… E andávamos sempre a partilhar uns com os outros bandas do estilo hard-rock, post-grunge, heavy metal, etc… Eu confesso que nunca acharia que iria ter uma banda, mas na altura dava-me bastante bem com o Jorge Rego, que mais tarde viria a fazer parte da banda Visible Noise, pois o fundador desta, foi um membro conhecido por “Catoni” que era o vocalista, letrista e guitarrista da banda, entretanto por motivos pessoais, os quais eu não sei, ele decidiu sair da banda e restou o Hugo Vilaça, Jorge Rego e José Morais, e entretanto recebi um telefone do Jorge, a perguntar se eu queria fazer parte de Visible Noise como baterista, a minha resposta foi logo um sim de imediato! Nessa altura ensaiávamos na Fábrica de Som, e a primeira audição correu lindamente, foi uma sensação tocar em grupo inexplicável! Ainda chegamos a gravar um “Pseudo” EP no Centro Comercial Stop no Estúdio 213 do Bruno dos Heavenwood, mas entretanto houve diversos conflictos com a banda, tanto que só demos um concerto na Fábrica de Som com uma banda chamada Kaizen, no qual o José Morais não actuou derivado a uns conflitos com certos membros da banda, mas entretanto decidimos tocar sem a presença dele, como é óbvio adoraria que ele tivesse actuado connosco naquela noite, mas infelizmente não foi possível, e respeito-o por isso.

Falando a nível de conhecimento pessoal, houve uma banda com a qual estiveste que eu respeito imenso… os Assassinner. Como é que foi essa altura?

Afonso Ribeiro: Foram momentos muito marcantes, foi uma experiência incrível tanto a nível profissional como a nível musical, não tirando a amizade e o respeito que tenho pelo Alexandre Santos (Xne) e o Ary Elias, nessa altura o Alexandre Santos, ex-membro de Strain, Crackdown, e Equaleft era um baixista que eu adorava vê-lo tocar, não me perguntes porquê! Mas ele tinha uma postura em palco e uma energia incrível! E eu pensava para mim “Epa… Adorava tocar com este gajo em palco!”. E verdade seja dita, mais tarde surgiu-me o convite de tocar com um baixista que eu adorava! Foi como se fosse um sonho realizado tocar juntamente com ele no projecto Assasssinner. Reconheco que aprendi bastante e evolui bastante a nível músical com eles! Apesar de me terem ajudado imenso também! Chegamos a ter uma sessão fotográfica em 2010, com o fotógrafo Carlos Pinto de Lisboa, chegamos também a gravar um videoclip da música “I Against All” do EP intitulado como “Other Theories Of Crime” filmado e produzido por João Mendes, chegamos a tocar em diversos sítios taís como Vigo, Teatro Sá da Bandeira, “A Sala” em Lisboa, etc! Tivemos ainda bastantes concertos memoráveis sem dúvida! Entretanto decidi sair da banda por motivos muito pessoais, e dedicar-me somente à minha banda actual que é e sempre vai ser, os “Gates Of Hell”, pois é a banda que mais me identifico e lá são todos como se fossem uns grandes “irmãos” para mim. E dedico-me a 200% somente a ela.

Agora conta-nos a tua história. As bandas em que estiveste, em que estás, nas quais participaste em alguns pontos… Queremos os detalhes todos :)

Afonso Ribeiro: Ui… Conhecendo-me como conheces, sabes que sou muito honesto, humilde e acima de tudo não sou de me gabar, mas já toquei em várias bandas… Quando tinha os meus 16 anos, fui convidado pelo André Cruz de Kandia para fazer uma audição, foi na Fábrica de Som, mas infelizmente as coisas não correram como esperava! Já toquei em Artigo 19 que é uma banda de Punk/Hardcore durante 1 ano salvo erro, provavelmente foram os momentos de mais diversão que tive em toda a minha vida, e agradeço especialmente ao Pedro Coelho e ao Mauro Coelho, por todos esses momentos de alegria que tive! Foram tempos que nunca serão esquecidos e ficarão sempre na minha memória. Outra banda que também toquei durante bastante tempo foram os Biolence, pois na altura estavam à procura de baterista, então entrei em contacto com o César Costa (Vocalista e Guitarrista) e disse que estava interessado em dar-lhes um apoio, que mais tarde surgiu uma grande amizade entre nós, assim como o Marco Silva (Baixista) e o David Paula (Guitarrista). Foram momentos também de grande emoção e estive na banda cerca de um ano e meio se não me escapa a memória. O que é que posso dizer de Biolence? Simplesmente que foi uma banda que não só pela musicalidade, mas também porque eramos uns “animais” em palco, penso eu! E acima de tudo sentíamos entre todos o verdadeiro espirito da banda. Biolence foi sem dúvida uma banda fenomenal que já toquei, grande, grande espirito e companheirismo. Também demos bastantes concertos, que foram todos inesquecíveis e marcantes para mim! E penso que para eles também! Uma banda que também actuei salvo erro duas vezes, que nunca vou esquecer e que são os meus “stylez” do coração foram os Revolution Within, que quando recebi o convite do vocalista (Raça) fiquei também super, super contente, porque era uma banda que acompanhava no MySpace desde o início e sempre adorei aquele estilo musical deles! Os dois concertos que dei com eles, foi no Metalpoint, quando foi o Lançamento do EP “The Truth Vnravels” de uma grande banda amiga minha chamada Equaleft. Outro foi no Gaia em Peso 2010, que foi outro grande concerto muito marcante! Entretanto posteriormente isto tudo, já tive diversos convites tais como ocupar o lugar do baterista Marcos Pereira de Equaleft em alguns concertos, já toquei também diversas musicas com diversas bandas, uma delas foi com uma banda de Hardcore chamada Hatetrigger, no Porto Rio juntamente com For The Glory e outras bandas que não me estou a recordar de momento, convidado por o Pedro Correia que é o baterista de Hatetrigger. Também já toquei uma música com uma banda de Punk/Hardcore chamada “Estado de Sítio” cuja baterista chama-se Paula e é grande baterista! E também participei numa música de uma banda que nos segue desde o início que são os “The Last Of Them” ao qual a música é Intitulada como “New Addiction” ocupando o lugar do baterista e grande amigo PN. Agora assim recentemente, recebi um convite para tocar com os Pitch Black, e participei em dois concertos que foi no “Metal Coura 2011” e no “Invicta X-MASsacre III” no Hard Club, Ah! Tinha-me esquecido, que também já toquei com Equaleft no “Invicta X-MASsacre II” este também no Hard Club. E para não esquecer, e por último, participei numa música chamada “Life Aggression” no lançamento do Álbum dos “WEB” chamado “Deviance” realizado no Metalpoint, ao qual acompanhei Pedro Soares baterista desta mítica banda, somente numa parte final da música usando só um timbalão de chão. Bem, resumindo Nadya, já participei em tanta coisa… que perdi mesmo a conta, a sério!

A nível de bateria, há algum ou alguns bateristas que te influenciem mais?

Afonso Ribeiro: Existem e há vários bateristas, tanto nacionais como internacionais que me influenciam bastante. A nível nacional umas das minhas grandes influências sem dúvida alguma é o Filipe Caeiro (Xines) da banda Switchtense, e Marcos Pereira da banda (Equaleft) estes dois sem dúvida para mim são os que me influenciam muito mesmo! E depois também tenho muitos muitos outros tais como o Pedro Soares (Web), Tiago Cardoso (Echidna), Ex-baterista de Pitch Black (Francisco Anacleto), João Catela (Damnull), Marco Silva (Crushing Sun), Hugo Almeida (The Endgate), Filipe Silveira (Artchoke), Daniel Cardoso, Rui Silva (Revolution Within), depois existem vários bateristas de rock, pop-rock, funk, que assisti em vários concertos quando trabalhei no Breyner 85 que também eram óptimos bateristas, ao quais se me fosse a lembrar de todos, nunca mais saia daqui! Ahah! Agora a nível internacional, os que me influenciam bastante é o Scott Phillips, este baterista tem mesmo um toque único! Já para não falar do Mike Portnoy, Thomas Lang, Chris Adler, Dylan Elise, Sean Kinney, Dave Grohl, Martin Lopez, Martin Axenrot, Ian Paice, Matt Sorum, Tony Royster Jr, Vinnie Paul, Chris Hesse, Matt Greiner, Francisco Borges… São tantos mesmo, que perco a conta completamente! Mas por ultimo o meu favorito mesmo é o Lars Ulrich! (Desculpa, estou a brincar! LOL).

E a nível de música no geral, que tipo de música é que gostas de ouvir?

Afonso Ribeiro:  Apesar de gostar muito de Metal no geral, seja o estilo que for, apesar de não ser grande apreciador de alguns géneros de Metal, gosto imenso de ouvir Grunge, cresci a ouvir este estilo musical! Gosto muito também de Post-Grunge, Rock Alternativo, Sludge, Stoner, etc… Um pouco de tudo! Mas o que gosto mesmo é Grunge, tanto que a minha banda favorita é Alice In Chains como tu sabes!

Houve algum concerto que te marcou mais?

Afonso Ribeiro: É assim, todos os concertos me marcam imenso, mas acho que o que me marcou mais foi o concerto com Gates Of Hell no Hard Club juntamente com W.A.K.O e Entombed, e outro que também me marcou muito mesmo foi no lançamento do EP de Gates Of Hell no Metalpoint, juntamente com Web, Equaleft e The Endgate.

Se pudesses escolher, a nível geral, uma banda para tocares. Nacional, Internacional… Consegues escolher uma banda?

Afonso Ribeiro: Nacional era ser baterista de Aurea. E Internacional sem dúvida alguma Alice In Chains!

Não foi fácil chegar onde chegaste, sobretudo numa idade tão jovem. Alguma mensagem para as muitas pessoas que conhecem o teu trabalho?

Afonso Ribeiro: Confesso que nem foi fácil nem difícil, basta sermos quem somos e chegamos a qualquer lado garantidamente! Acima de tudo sermos verdadeiros com nós mesmos, respeitar os outros, e tentar manter um equilíbrio neste meio musical! A única mensagem que posso deixar a todas as pessoas que conhecem o meu trabalho, é um muito, mas mesmo um muito obrigado do fundo do meu coração, pelas palavras, pelo apoio, pelo convívio, pela amizade, pelos copos, etc… Quem me conhece sabe perfeitamente como sou, e sem vocês e o vosso apoio não seria possível chegar onde estou!

 Afonso, lembraste quando os Gates of Hell tocaram com os Engaging the Dead e os The Endgate? Lembraste de terem sido convidados por outra banda (que não me lembro do nome) para irem ao Grândola? Lembraste de estares no chamado backstage a dizeres que não sabias tocar, etc.? Eu disse-te. Eu na altura disse-te (e mais gente também o fez) que eras um grande baterista. E espero que com o tempo que passou desde essa noite até hoje te tenha feito aperceber disso, pois essa afirmação cada vez mais é verdadeira!

Afonso Ribeiro: Recordo-me perfeitamente e não vou comentar acerca do concerto! Tenho que admitir que correu-nos muito mal e eramos muito “verdes” por assim dizer! Obrigado pelas palavras Nadya mesmo! Mas também sei reconhecer que ainda tenho muito para aprender! Obrigado por tudo mesmo!

 

 

Um obrigada muito grande ao Afonso Ribeiro, por ter feito esta entrevista connosco. Desejar-te-ia um futuro brilhante, mas isso sei que vais ter! Boa sorte com tudo!

Afonso Ribeiro: Obrigado eu, de coração mesmo! E para todas os meus amigos, inimigos, conhecidos, colegas, familiares, etc… Um grande abraço/beijos, nunca desistam de vocês próprios e continuem a lutar sempre até ao fim!

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2 Comentários to "Entrevista com AFONSO RIBEIRO"

  1. ouro1989 diz:

    Boa Nadia!!

    Ele para tocar tem porras e para falar então não se fala….. ;)

    Parabéns pela entrevista.

  2. Boas pessoal! ;) Aqui vai uma pequena entrevista feita por Nadya Batista ao nosso baterista Afonso Ribeiro! Espero… http://t.co/ORHl56zt

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