Virgin Black
A escolha deste mês de Junho recai em Virgin Black, uma grande banda que me impulsionou para música mais melancólica.
Citando o myspace da banda (http://www.myspace.com/virginblackofficial) o seu som define-se como clássico, gótico e metal. Tanto quanto pude saber existem desde 1993, mas há já algum tempo que não se ouve nada deles. Prometido está ainda o fim da Trilogia “Requiem”.
Virgin Black chegam-nos da Austrália, sendo que de momento os seus membros são Rowan London, Samantha Escarbe, Grayth e Luke Faz.
Virgin Black:
Virgin Black chegam-nos em 1995 com um EP com o mesmo nome da banda. Este começa também com um tema de nome homónimo. A guitarrada de início é potente, a música tem harmonia e é bonita. O resto do trabalho não destoa; Mother of Cripples e Anthem são boas músicas, um trabalho excelente de apresentação. A voz, a harmonia, tudo combina perfeitamente.
Destaque para Mother of Cripples: uma música excelente, com um início instrumental fenomenal. É sem dúvida a melhor música deste trabalho.
Anthem fica ligeiramente atrás de Mother of Cripples: também é uma excelente música e faz-nos quase viajar. O ambiente pesado e a voz trágica unem-se e o sentimento que nos é incutido tema após tema faz-nos querer mais.
Trance:
No entanto temos de esperar mais 3 anos para ouvirmos novidades. Trance sai em 1998 e, na minha opinião, é uma desilusão. Opera de Trance começa de uma maneira estranha e apenas por volta dos 50 segundos é que se nota algum peso. Uns instantes depois a voz chega-nos em sussurros e continua a ser estranho mas não é mau de todo. No entanto, de longe o melhor para se mostrar como segundo trabalho.
Passamos para A Saint is Weeping e já não nos parece tão mau – será que nos acostumamos? Mas as guitarradas e o próprio ambiente da música mostram que já estamos num ambiente diferente e mais cruel. A voz parece sofrida, a batida é rápida, resulta. Mas depois a música repete, e repete, e volta a repetir até ao fim.
Um pouco a custo chegamos a Whispers of Dead Sisters. Aqui, sim. Virgin Black toca-nos e faz-nos sentir a beleza da sua música. Custou mas valeu a pena.
Sombre Romantic:
Em 2001 os Virgin Black mostram a sua nova criação, Sombre Romantic. São 11 temas, cerca de 75 minutos, de puro deleite. Opera de Romanci I transporta-nos até ao infinito. O início é soberbo e nunca pensamos que é a mesma banda que nos brindou com Opera de Trance. A voz é sofrida e quando de fundo temos um coro assombroso, temos arrepios. Uma música que promete definitivamente um bom álbum.
Por sua vez, Opera de Romanci II é mais pesada mas falta-lhe talvez um bocado mais de emoção. Problema resolvido com Walk Without Limbs. É sombria e adapta-se perfeitamente; está excelente.
Of Your Beauty é divinal. Começa tão levemente, com um sentimento tão triste. Torna-se bruta, rápida, e acaba repentinamente. Drink The Midnight Hymn tem um começo diferente de todas as músicas até agora e é a melhor música até ao momento de Virgin Black. Música muito bem conseguida, sem dúvida alguma!
Museum of Iscariot tem uma mudança tão súbita de ritmo que ficamos uns instantes a pensar no que realmente se passa. Mas continua a ser uma música muito boa mesmo. Diferente. Segue-se Lamenting Kiss, outra obra-prima, que pode rivalizar muito bem com Weep For Me, logo a seguir, pela beleza e harmonia que transmitem. São lindíssimas. Queremos mais assim!
I Sleep With the Emperor tem talvez o nome mais caricato de todas as músicas de Virgin Black. A música no entanto não deixa de ser como a grande parte da destes senhores: magnífica. De volta aos nomes singelos, o adeus é ouvido em A Poet’s Tears of Porcelain. O clímax de todo o álbum, nada a acrescentar. Perfeição.
Elegant… and Dying:
2003 traz-nos Elegant… and Dying. Neste álbum tudo é perfeito. O título. A capa. A música. Logo de início, por si só épico, em Adorned in Ashes parece que estamos a preparar-nos para uma batalha – a de não ficar completamente viciado neste álbum. É complicado.
Velvet Tongue não ajuda em nada. O som arrastado. A voz, sempre a voz!, tão bonita. And the Kiss of God’s Mouth, tanto a parte 1 como a 2, são sublimes. Renassaince chega-nos levemente e levita entre a calma e a agitação. É uma música muito bem conseguida.
The Everlasting não é música para se interiorizar à primeira, pois com 19:57 acabamos por nos distrair. Mas é sem dúvida alguma uma música que merece ser ouvida vezes e vezes sem conta.
Passados então os quase 20 minutos chega-nos a batida de Cult of Crucifixion. Uma música bastante leve, com Beloved logo de seguida. O final do CD vem com Our Wings Are Burning, música para a qual não há palavras para ser descrita!
A partir de 2007 começa a trilogia Requiem…
Requiem – Mezzo Forte
Começando com Mezzo Forte, o qual tem a melhor música da banda na minha opinião – In Death. No entanto a primeira música é a Requiem, Kyrie. Um começo soberbo, a deixar água na boca sobre esta trilogia. A parte orquestral, não podia ficar melhor.
In Death. Não posso falar, não posso comentar, sou muito suspeita, de todos os prismas. Esta música é muito para mim e não consigo ser justa com ela! Quem quiser que a ouça e tire as próprias conclusões. Para mim, é a masterpiece deles.
[Pesarosamente...] In Death é deixada para trás e chega Midnight’s Hymn. Esta música combina na perfeição com todo o conceito do álbum. A dor, o sofrimento, o sossego, a paz. Harmonias lindas, ambientes únicos. É sombria e dá-nos arrepios.
… And I Am Suffering leva-nos numa viagem de dez minutos por essa dor que nos extasia. A música é muito bonita. Ponto final. Domine é fenomenal. O instrumental está mesmo muito bem conseguido.
Lacrimosa (I Am Blind With Weeping) continua na mesma linha das anteriores. Não traz nada de novo mas não faz mal: está fantástico como está. Rest Eternal encerra o primeiro capítulo de Requiem e não há muito mais para se ser dito. O primeiro capítulo da trilogia prima pela excelência e o próximo terá muito trabalho para conseguir sequer igualar este álbum.
Requiem – Fortissimo
Em 2008 chega-nos a segunda parte da trilogia, Fortissimo. Nada de novo há a acrescentar – e isto não é mau, pois neste ponto já Virgin Black é de louvar e tudo o que fazem é bom. Fortissimo começa mesmo assim – é sempre a dar-lhe. The Fragile Breath rompe a barreira de som, deixa-nos tontos, e a voz mais gutural dança nos nossos ouvidos e soa tão bem. Uma voz feminina ouve-se também, e cria uma atmosfera fantástica. A harmonia é belíssima. Os coros de fundo. Toda a música é perfeita.
In Winters Ash continua com uma mescla de algo sombrio e divino. A música sombria. A voz divinal. Tudo se conjuga. Seguimos com Silent. Relembra-nos vagamente a The Fragile Breath mas é também uma música muito boa. God in Dust chega-nos com uma melodia lindissíma, que se apodera de nós sem darmos conta disso. Mexe connosco.
Por sua vez Lacrimosa (Gather Me) afunda-nos até ao mais infimo ponto do eu, com o coro, a voz, sempre os mesmos elementos – mas impossível de se ficar farto deles. Darkness prepara-nos para um adeus, um som melancólico e pesaroso. É um doce sofrimento, durante 11 minutos e 45 segundos aguardamos pelo final…
… E a última coisa que ouvimos de Virgin Black é Forever. A música é familiar e o início do piano é soberbo. Início ou fim – despedem-se com uma outro de 1 minuto e 14 segundos.
Requiem…
O fim da trilogia com Pianissimo… ainda estamos à espera. Consta-se que será mais pesado, mas para já temos mesmo é de aguardar.
Nota: 10/10. Apesar de alguns altos e baixos – quem não os tem?, a banda é perfeita, nas suas melodias, na escolha de vozes, na atmosfera que cria.
OBS.: No primeiro EP, Virgin Black, há uma música, chamada Black Corsage; lamento desde já mas não consegui encontrar a música em lado nenhum para a poder ouvir!




