Neige é um génio. Isto dito por alguém que é fã de Alcest desde o primeiro álbum dele talvez não seja muito credível. Mas por mais que tente descrever o Neige, essa é a única palavra que me ocorre. Este senhor, impressionou-nos aquando do seu primeiro registo “Souvenirs d’un Autre Monde”, com um álbum que combinava sonoridades distintas: O Black Metal e o Shoegaze Rock.
Em 2010, somos presenteados com a sequela “Écailles de la Lune”, sem dúvida dos álbuns mais aclamados da época. Neige supera-se e consegue melhorar a sua fórmula com uma sonoridade deliciosa, com música que percorria labirintos de ambiente e melodia, com um vocal que se encaixava bastante bem, dando menos destaque a vocais crus e sim aos limpos, pondo assim o toque de melancolia que faltava.

Muito se especulou sobre o novo álbum de Alcest, “Les Voyages de l’Âme”. A primeira vez que o pomos a tocar, percebemos claramente que é um álbum de Alcest, com a qualidade e sonoridade a que este projecto nos habituou, que segue firmemente as pegadas de “Écailles de la Lune”. É aqui que nos perguntamos, será que Neige perdeu o “dom” de se reinventar e nos deu um álbum do tipo “mais do mesmo”?

Sim e não. É verdade que um álbum que nos remonta ao saudoso “Écailles de la Lune”, principalmente na sonoridade, dando aquele sentimento de que não estamos a ouvir nada de novo. Mas isso compromete o álbum? Claro que não. Embora não nos mostre nada de novo aqui, continua a ser agradável e audível.
“Autre Temps” é uma excelente introdução que nos resume perfeitamente o álbum. Esta faixa introdutória, dona de uma melodia cintilante é um exemplo perfeito dos dotes de Neige. “Faiseurs de Mondes“ é provavelmente um dos melhores temas que alguma vez ouvimos de Alcest. Apercebemos-nos que é uma perfeita mistura entre os álbuns anteriores, com um ambiente fantástico e indescritível. E como já é habitual num álbum de Alcest, estão presentes faixas instrumentais onde apenas ouvimos “Ahh” como vocal, e uma parte instrumental alucinante.
Conclusão, ainda que seja um álbum que possa ser rotulado repetitivo e não original, tem o nome de Alcest por trás, que por sua vez esconde o de Neige, um compositor bestial, além de ter todos os traços e arte que deram nome a Alcest no passado. Quando se aborrecerem, podem voltar no tempo e ouvir os seus outros álbuns, ou verificar os projectos paralelos de Neige.

